O Jogo das 100 Histórias

Introdução

O Jogo das 100 histórias é – supostamente – um clássico no Japão e é reputado como um ritual bastante eficaz para se conjurar um fantasma. Ele teria se originado de um ritual dos samurais para medir a coragem (alguma coisa assim) – não vou comentar aqui como era o ritual original porque o foco do blog é como esses jogos são feitos hoje, mas no final do post há links para essa versão original.

Aqui, nós teremos duas versões do jogo: a normal e uma versão “curta”.

Acredito que esse jogo proporcione uma atmosfera interessante – velas (embora comprar cem velas possa sair um pouco caro… embora confesso que não tenho ideia de quanto uma vela está custando hoje em dia… sem falar do risco de incêndio, claro), noite e histórias de fantasmas funcionam como um bom programa para pré-adolescentes. Porém, acredito que seja difícil achar cem pessoas para passarem a noite e juntas e um cômodo em que as cem caibam, então imagino que na maioria das vezes o  jogo seja realizado com (bem) menos gente (ou nunca seja jogado, o que é o mais provável). Também imagino que as histórias contadas não devam ser muito longas, pois do contrário a noite acaba e as pessoas ainda estarão falando…

Como curiosidade, algumas fontes dizem que, ao final do jogo, ao invés de apenas um fantasma, haverá cem fantasmas junto aos jogadores…

 

Requisitos

 -De 1 a até 100 jogadores

-100 velas

-Fósforos ou isqueiros

-Um cômodo escuro

 

O Jogo

 Primeira Parte – Preparação

  1. Coloque as 100 velas no centro do cômodo.
  2. Feche todas as cortinas e apague todas as fontes de luz. O cômodo deve ficar em escuridão total, nenhuma luz de fora deve atingi-lo.
  3. Espere até o anoitecer.

 

Segunda Parte – O Jogo

  1. Todos os jogadores devem se reunir e entrar no cômodo.
  2. Os jogadores devem formar um círculo em volta das velas.
  3. As 100 velas devem ser acesas. Elas devem ser a única fonte de luz do cômodo.
  4. Os jogadores devem começar a contar histórias de fantasmas, relatos sobre o estranho e o incomum. As histórias podem ou não envolver o sobrenatural – é mais provável que envolvam; elas também podem ou não ser reais; bem como podem ou não ter acontecido com algum dos jogadores.
  5. Sempre que um jogador terminar uma história ele deve soprar uma das velas.

 

Terceira Parte – Terminando o Jogo

  1. Quando a última história tiver sido contada e a última vela apagada, os jogadores já devem estar preparados, pois se eles tiverem realizados todos os passos corretamente, terão concluído um ritual de evocação e algo surgirá no meio deles…

 

Versão Alternativa (O Jogo das 10 Histórias)

 

Requisitos

– 1 jogador

-10 velas

-Fósforos ou isqueiros

-1 cômodo – ele não precisa ser completamente escuro, como na versão das 100 histórias.

OBS: esse jogo não precisa necessariamente ser completado em um única noite, você pode ir fazendo-o ao longo de vários dias.

 

O Jogo

  1. Acenda as 10 velas.
  2. Comece a contar histórias de fantasmas, relatos sobre o estranho e o incomum.
  3. Ao terminar cada história, apague uma vela.
  4. Quando a última vela tiver sido apagada, o jogador terá um vislumbre de um outro mundo… e poderá conversar com o que quer que apareça nesse instante…

 

Observações Adicionais

 O outro mundo citado no Jogo de 10 histórias pode ou não ser o mesmo citado no Jogo do Elevador, no Ritual do Homem Encapuzado ou no Jogo dos Três Reis… só quem visitou ou teve uma visão desses mundos pode confirmar se são o mesmo.

Independente do mundo vislumbrado, é recomendada muita cautela em relação aos dois jogos: no caso do primeiro, se ele for jogado corretamente, algo (ou alguém) irá surgir entre os jogadores… mas não há garantias que o que quer que tenha sido conjurado irá embora. No caso do segundo jogo, o vislumbre que o jogador pode ou não abrir uma porta… e dificilmente o jogador saberá como fechá-la.

Não importa se você jogar a versão das 100 histórias ou a versão das 10: cuidado com as velas, um fantasma será o menor dos seus problemas se a casa começar a pegar fogo!

Nos dois jogos, é altamente recomendado que se faça posteriormente um ritual de purificação nos cômodos utilizados.

 

Considerações

O Jogo das 100 Histórias é bem interessante, mas está longe de ser um dos meus favoritos. Não sei se é porque ele é “simples” demais… De qualquer maneira é sempre divertido dar uma olhada nesses jogos que vêm do Oriente e notar as diferenças em relação aos jogos criados no Ocidente. Uma característica digna de nota é a “facilidade” em se chamar um fantasma/abrir um portal/o que quer que a pessoa acredite, cujas raízes, imagino, estejam no Xintoísmo (mas não posso afirmar com 100% de certeza porque estou bem longe de ser uma profunda conhecedora das religiões do Japão). É claro que, como também ocorre com o Telefone dos Mortos, para nós brasileiros isso sempre tem um impacto menor.

Recomendo que se dê uma olhada no jogo original, pois também é interessante ver o que mudou e o que permanece.

O que chama a atenção, entretanto (e como ocorre com todos os outros jogos), é a total falta de viabilidade – como menciono no início, imaginem o trabalho arranjar cem velas, cem pessoas – ou um número menor de pessoas, mas isso implicará em cada uma tendo que contar mais de uma história… No meio do negócio, todo mundo vai estar de saco cheio (ou dormindo). No fim das contas, o legal mesmo é a atmosfera oferecida – funcionaria bem como uma cena num filme de terror japonês… (certamente melhor que a cena da peruca…)

 

Referências

https://theghostinmymachine.wordpress.com/2014/09/29/the-most-dangerous-games-hyakumonagatari-kaidankai-or-the-game-of-100-ghost-stories-jumonogatari-smudgemouth/

http://creepypasta.wikia.com/wiki/100_Ghost_Stories_(Hyaku-Monogatari)

http://sayainunderworld.blogspot.com.br/2007/08/100-ghost-stories-hyaku-monogatari.html

 

Jogo original:

https://en.wikipedia.org/wiki/Hyakumonogatari_Kaidankai

https://hyakumonogatari.com/what-is-hyakumonogatari/

 

 

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Autor: Lola Flagg

Meu nome é Lola Flagg. Tenho 32 anos e moro na cidade do Rio de Janeiro. Sou fascinada por lendas urbanas e sua disseminação.

Um comentário em “O Jogo das 100 Histórias”

  1. Oi!
    Agora consigo comentar aqui, depois de passar pelas verdadeiras creepypastas que só atravancam a nossa vida e em nada nos divertem. Uma coisa que me ocorreu sobre ser supostamente um jogo japonês é sobre a escolha do número 100. Será que para os japoneses, quando “criaram” o ritual, o número 100 tinha alguma relevância? Ou é só a nossa coisa ocidental de gostar destes números redondos e certos? Seria mais lógico usar um número equivalente, digamos, as medidas deles de sacos ou plantações de arroz, ou de alguma lenda ou história de alguma divindade (e aí seria, talvez, uma quantidade “quebrada”). E números redondos não parecem assustadores; os quebrados, sim. Olha que divertido é o 666 – imagina se o número do Demo fosse 500… que sem graça. Como estou lendo o Planescape, lá tem toda aquela coisa com portais, mas é sempre necessário ter uma “chave” específica para cruzar um. Não é esta molezinha do mundo que existe quase que “paralelo” ao nosso e qualquer deslize a gente passa para o outro lado. Seria interessante o outro mundo ser o mesmo dos outros jogos – várias entradas para o mesmo lugar. Já dá para ter umas coisas legais a partir daí.

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